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Posts Tagged ‘polêmica’

Falamos aqui recentemente sobre vitrines que foram inspiradas por acontecimentos que abalaram e “sacudiram” a sociedade. Primeiro, tivemos o exemplo da marca Hackett, que promoveu uma campanha para reverter parte do lucro obtido com a venda de produtos para ajudar as vítimas do tsunami que destruiu várias regiões no Japão. Em seguida, vimos a vitrine de Marc Jacobs, no West Village (NY), apoiando o casamento entre pessoas do mesmo sexo, numa verdadeira jornada em prol dos direitos humanos em NY.

Infelizmente, nem sempre os eventos impactantes e simbólicos em nossa sociedade dão boas vitrines (ou merecem tal destaque, até porque, sinceramente, não contribuem em nada para a imagem da marca). Por exemplo, o que podemos pensar a respeito da vitrine abaixo, da marca Party On, descrita pelo Yorkshire Post (do Reino Unido) como uma “loja chique”.

Em primeiro plano, vemos um boneco à esquerda, caracterizado como Osama bin Laden, segurando uma bandeira branca e “jorrando sangue”. De pé, à direita, uma manequim feminina, portanto uma arma de plástico e trajando roupas de inspiração militar. Como pano de fundo, a bandeira dos Estados Unidos.

Definitivamente, o assassinato de Osama bin Laden por militares norte-americanos foi um evento que chamou a atenção do mundo. Ficamos horrorizadas ao assistir, pela televisão, a comemoração do povo nas ruas ao redor dos EUA, afinal um criminoso de guerra deveria ser capturado e levado a julgamento, como mandam os preceitos da sociedade moderna e civilizada. Ações baseadas no famoso “olho por olho, dente por dente” nos fazem retroceder ao tempo das cavernas!

No mais, ficamos chocadas com a declaração de uma funcionária da loja Party On. Segundo ela, a marca gosta de produzir displays que chamem a atenção e que, enquanto ela estava trabalhando, apenas constatou que várias pessoas riam e tiravam fotos em frente a vitrine. Aparentemente nenhuma reclamação foi feita.

Vale tudo em nome de “chamar atenção”? Má publicidade é melhor do que nenhuma publicidade? Acho que devemos parar por alguns instantes e refletir sobre o assunto. Antes dessa foto, nunca tínhamos ouvido falar na Party On, o que faria muita gente dizer que, graças à polêmica vitrine, a loja ficou conhecida até mesmo no Brasil. Porém, para nós, a impressão em relação à Party On foi extremamente negativa. Se morássemos ou visitássemos a cidade onde fica a loja, jamais compraríamos lá. Resumindo, achamos a vitrine de um tremendo mau gosto, além de ser tremendamente grosseira! Portanto, derrubamos o argumento de que uma vitrine desse tipo seria capaz de gerar brand awareness, afinal quem se interessa se o consumidor conhece a marca, mas a associa a algo grotesco?

E o que uma vitrine desse tipo pode trazer de bom para a marca? Absolutamente nada! Que marca gostaria de ter sua imagem associada a algo grosseiro e até mesmo visto por muitos como preconceituoso? A vitrine de uma loja é o primeiro ponto de contato que a marca tem com o consumidor. Se você não conhece uma marca, mas passa por uma vitrine que lhe atrai, você se sente “puxado” para o interior da loja. Então para que jogar fora uma oportunidade de atrair clientes para o interior da sua loja e, ainda por cima, ter sua imagem associada a adjetivos nada favoráveis?

Enfim, esperamos que nenhuma outra marca, em nenhum outro lugar do mundo, resolva seguir o péssimo exemplo da Party On. Assim como o que aconteceu envolvendo a marca Kenneth Cole e a questão política no Egito (falamos sobre isso aqui), esses assuntos são delicados, envolvem questões mais profundas do que podemos imaginar e não devem ser tratados desrespeitosamente, ainda mais numa vitrine.

Fonte: Yorkshire Post

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O caso Galliano ainda está causando muita polêmica por aí, mas por aqui o que nos interessa é entender como as marcas se posicionaram em momentos de crise, muitas vezes desencadeadas por seus representantes, colaboradores e embaixadores. Uma verdadeira lição de gerência de marca e relações públicas em tempos de crise e de como em alguns casos foi possível dar a volta por cima, com ainda mais sucesso!

:: Crise #1: Chanel e o Nazismo

” Durante a II Guerra, Chanel foi acusada de colaborar com o nazismo. Segundo sua biógrafa, Edmonde Charles-Roux, Coco tinha inclinações políticas extremamente reacionárias e conservadoras. De acordo com alguns autores, Chanel circulava em altos círculos militares alemães. Ela teria sido chamada para a Operação Modelhut (Modelhut, em alemão, significa “chapéu da moda”), em que tentava aproximar o primeiro-ministro britânico Winston Churchill do comando alemão. Chanel tinha tido um caso com um inglês chamado Hugh Richard Arthur Grosvenor, o duque de Westminster, próximo de Churchill. Por desempenhar serviços como esse, Chanel prosperou durante a guerra. Há quem diga que o logo “CC” seja uma referência ao logo “SS”, gravado nos uniformes da polícia de Hitler.

Por causa disso, fechou a maison e foi morar na Suiça. Quase faliu. Voltou a Paris em 1954, mas o mercado francês não a recebeu tão bem como antes. A grife foi salva pelo mercado americano que, na década de 50, inventou o prêt-à-porter, em que a cópia de uma roupa podia ser reproduzida em escala industrial.” (Revista Época)

Dizem que Coco Chanel andou flertando com o nazismo e até mesmo se envolveu com um oficial alemão

 

Hoje em dia, quem não ama a marca Chanel? Enlouquecemos com as inovações de Karl Lagerfeld e muitos sequer sabem desse “passado sombrio” de Coco.

:: Crise #2: Kate Moss

Quem não se lembra da foto abaixo? Depois dela, a internacionalmente famosa Kate Moss, modelo que durante a década de 90 já havia encarado outras polêmicas (foi acusada de ser a porta-voz do estilo heroin chic e de ser anoréxica, servindo de péssimo exemplo para toda uma geração de meninas ao redor do mundo) sem maiores problemas, caiu em desgraça, ainda que temporariamente. Foi abertamente criticada, perdeu contratos, mas graças ao apoio de diversos membros fashion world, Kate recuperou sua imagem e está mais rica do que nunca, depois de fechar vários contratos milionários.

 

A foto publicada pelo tablóide inglês colocou Kate Moss no topo das paradas, de uma maneira bem negativa

O falecido McQueen foi um dos muitos que apoiaram Kate

:: Crise #3: Nike e Ronaldo Fenômeno

O ex-jogador Ronaldo “Fenômeno” foi acusado de envolvimento com travestis. Imediatamente surgiram boatos de que a Nike romperia seu contrato com o atleta, mas apesar dos rumores, isso não ocorreu e a empresa até prestou homenagem em seu site após o anúncio de sua aposentadoria.

No site da Nike, homenagem ao ex-jogador

A imagem de Ronaldo, por outro lado, nunca mais foi a mesma. Aparentemente o jogador perdeu todo o crédito que tinha junto ao público, que só conseguia falar sobre seu excesso de peso, escândalos da vida pessoal do jogador, etc. Nem mesmo o empenho positivo da mídia quando sua aposentadoria foi anunciada conseguiu reverter tal problema.

:: Crise #4: Dior e Galliano

A polêmica envolvendo Galliano começou com a divulgação do vídeo abaixo, no qual o estilista, supostamente sob o efeito de álcool, fez comentários antissemitas na sexta-feira passada, num bar em Paris.

Após queixas registradas na polícia, a maison Dior declarou publicamente que Galliano, designer-chefe desde 1996 da maison francesa, estava afastado do cargo. Na terça-feira, dia 01/03/2011, a Dior anunciou sua demissão. Segundo o executivo-chefe da Dior, Sidney Toledano, a atitude do estilista é veementemente condenável e contradiz todos os valores que sempre foram defendidos pela Christian Dior.

Para piorar da situação, a atriz Natalie Portman, garota-propaganda do perfume Miss Dior Chérie, vendedora do Oscar de melhor atriz e foco de todas as atenções da mídia nos últimos meses, declarou estar profundamente chocada e enojadacom as declarações de Galliano em vídeo e promete não se associar ao designer de qualquer forma.

Com todos holofotes voltados para ela, a atriz Natalie Portman sentiu a necessidade de se manifestar sobre a polêmica envolvendo o diretor criativo da Dior

Concordamos que a maison francesa agiu corretamente ao afastar o designer do seu cargo e ainda não sabemos como tal decisão afetará a marca, inclusive financeiramente (o mesmo podemos dizer sobre os rumos da carreira de John Galliano ). O que nos chamou muita atenção foi a declaração de Natalie Portman, afinal sua associação contratual é com a empresa francesa Christian Dior, não com Galliano ou com a marca que leva seu nome.

A Dior manteve a data do seu desfile e o nome de John Galliano não foi mencionado. O designer está em reabilitação, cancelou o desfile da marca que leva seu nome e pode ser levado a julgamento em breve, na França. Corre por aí o boato de que várias atrizes resolveram não usar vestidos Dior na noite do Oscar por conta da polêmica.

:: Crise #5: Devassa e Sandy

Não se fala em outra coisa: Sandy foi escolhida para ser a garota propaganda da marca de cerveja Devassa. O trabalho de ativação da marca teve início com a escolha de Paris Hilton para uma série de ações, que também geraram polêmica. Contudo, é bem provável que a maioria das pessoas até concorde que a escandalosa Hilton combina com ações sexies e polêmicas, mas pelo que estamos percebendo, ninguém consegue “engolir” essa história de que “todo mundo tem um lado devassa”.

E aí, você acha mesmo que Sandy tem um lado devassa?

Para piorar a situação, começou a ser divulgado na rede um trecho de uma entrevista na qual a cantora, que até mudou a cor de seus cabelos para o lançamento da campanha, declara não gostar do gosto de cerveja, mesmo sem álcool, e que prefere bebidas “mais docinhas”.

A entrevista aconteceu meses antes da contratação da cantora pela cervejaria, mas a “aparição” do vídeo na rede e sua intensa divulgação parece indicar a rejeição do público em relação a escolha da Devassa.

A cervejaria não voltou atrás e divulgou números que comprovam seu crescimento nos mercados do Rio de Janeiro e de São Paulo, além de prometer mais polêmicas para os próximos meses.

Marcas diferentes, problemas diferentes. Superações e dúvidas sobre o futuro. Várias opções de como gerenciar marcas que enfrentam problemas. Agora só nos resta aguardar e analisar.

Fonte: Folha Ilustrada, Mundo do Marketing

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