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Posts Tagged ‘power shops’

Calma, pessoal! Não estamos dizendo para todo mundo sair correndo por aí, fazendo mil loucuras ou o que der na telha, sem medir as conseqüências, mas nos ocorreu que talvez seja quase isso que algumas marcas estejam apontando para os seus consumidores.

Não, elas não estão dizendo para você agir inconsequentemente ou impulsivamente. Sem dúvida alguma não é este o caso! De qualquer forma, percebemos que duas marcas estão bombardeando seus consumidores com mensagens desafiadoras sobre deixar de lado as dúvidas que nos assolam e nos fazem congelar perante certos desafios e partir para o ataque.

E aí, já sabem quais são essas marcas? Nós contamos para vocês. A primeira foi a Diesel, com a campanha “Be Stupid“. E agora temos a Wrangler, tradicional marca de jeans, que volta com tudo na campanha “Stop Thinking“, que ainda será lançada dia 15 de setembro.

"Espertos usam a cabeça.Estúpidos escutam o coração."

Resumidamente, a campanha da Diesel, criada pela agência Anomaly, se baseia no binômio “esperto/estúpido”, mas ao contrário da máxima de que diz que “o mundo é dos espertos”, aponta para a existência de muitas, muitas vantagens em ser estúpido. Para a Diesel, ser estúpido significaria não ter medo de errar, se arriscar mais e, consequentemente, ser mais criativo. Já os espertos seriam mais contidos e se apegariam apenas ao que fosse mais seguro, sem experimentar muito. Abaixo temos o vídeo com o manifesto da campanha (e aqui a transcrição da mensagem que aparece no vídeo). É realmente muito emocionante e dá vontade de sair por aí com o peito aberto, sem medo de encarar a vida de frente e apostando mais em si mesmo.

A Wrangler, por sua vez, está se preparando para lançar a campanha “Stop Thinking“, que também nos inspira a deixar nossa espontaneidade,  nosso inconsciente e nosso compromisso com o presente falarem mais alto, sem pensar nos riscos potenciais, nas possíveis conseqüências e fracassos, pois apenas assim seremos capazes de conquistar vitórias incríveis. A razão agiria como um freio, então, temos que parar de pensar.

"Nós somos animais":um apelo aos instintos

É a segunda campanha da Wrangler que nos remete às emoções humanas e prega que devemos nos guiar por nossos instintos e espontaneidade (a primeira foi a “We are Animals“, segundo a qual todo homem, no fundo, é um animal com instintos apurados que simplesmente se esquece de usá-los no dia a dia). Na “Stop Thinking , a marca explora novamente a questão de agir por instinto, só que dessa vez relacionada aos esportes (base jumping, boxing, escalada, entre outros) e profissões que envolvem grandes riscos (como no caso dos bombeiros), numa campanha cheia de adrenalina, produzida pela agência Fred & Farid (foram lançados vídeos que são verdadeiros teasers, já disponíveis no You Tube).

Segundo o gerente de marketing da empresa, “Stop Thinking nos incita a ultrapassar o estado de medo e negatividade, nos lançando com coragem. Esse é o espírito da Wrangler…Acreditar nos nossos instintos para nos ajudar a conquistar o que é maravilhoso, desafiador, inesquecível…”

Tanto a campanha da Diesel, quanto as da Wrangler têm em comum o apelo ao lado emocional das pessoas, o que definitivamente veio em boa hora, uma vez que passamos por uma época de muita incerteza e insegurança, devido à crise econômica, atentados terroristas sempre aqui e ali, desemprego mundial… É também uma época na qual o consumo passa por transformações, em decorrência do cenário criado justamente por esse quadro de incertezas, gerando uma onda de culpa, minimalismo e consumo seletivo (conforme mencionamos aqui).

Parece até contraditório, mas as marcas estão fazendo o que é necessário para chamar atenção dos seus consumidores e retirá-los um pouco dessa atmosfera de medo e insegurança, seja através de power shops, seja através de campanhas publicitárias com apelo à espontaneidade e à emoção. O importante é estimulá-los a não ter medo, baseado no que escutamos nos noticiários e lemos nas manchetes dos jornais todos os dias, e mantê-los consumindo ativamente. Diesel e Wrangler são as marcas das pessoas que agem com coragem, ousadia, intuitivamente, sem medo de errar e sem preocupação com o olhar do outro. E elas deram aos consumidores justamente aquilo que faltava neste momento em suas vidas, ou aquilo que eles tiveram que deixar em segundo plano: emoção.

Agradecimentos: Juliana Laguna

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Em busca de assuntos e informações interessantes na rede, nos deparamos com muitos textos falando sobre minimalismo, simplicidade e redução no consumo. Vários deles eram bem focados no minimalismo derivado das inovações tecnológicas (obrigada, Ivo, por todos os tweets!), enquanto outros analisavam o decréscimo do consumo e a tentativa de evitar o desperdício na indústria da moda. E, um dos que mais gostamos, tratava-se de um projeto pessoal, denominado Cult of Less, cuja premissa é a indagação sobre se é possível não ter nada (hum, bem extremo, não?).

Comecei lendo o texto sobre o minimalismo digital, onde um rapaz vendeu todos seus CDs, DVDs e outros bens (inclusive várias roupas) e hoje tudo aquilo que ele possui cabe em duas caixas de 50cm x 50cmx 50cm e duas pequenas malas. Ele supre todas as suas necessidades de entretenimento com um Ipad, um Kindle e um MacBook Pro. Com isso, até conseguiu economizar e viajar mais pelos Estados Unidos e Europa! Segundo ele, o processo de se livrar dos bens foi uma tentativa consciente de não ser definido por aquilo que possuia, pois quanto menos se tem, menores são a preocupação e o estresse, tornando-se mais feliz e ganhando mobilidade.

Chris Yurista vive com o que carrega em sua mochila e afirma que a tecnologia digital substituiu sua necessidade de um lar e posses

Em seguida, no Modalogia, encontramos um texto sobre a “era do consumo seletivo“, que nos aponta um novo comportamento do consumidor, principalmente quando o assunto é moda. Com tantas ferramentas virtuais de comparação de preço (sites de busca focados no melhor preço, blogs e twitters com resenhas sobre produtos) e compra online (mencionamos o impacto do e-commerce e do m-commerce aqui ), sem falar na assombrosa crise econômica, o consumidor pensa duas, até três vezes antes de sair carregado de sacolas por aí, mesmo em época de liquidação.

Síndrome de Becky Bloom nunca mais!

Por outro lado, o varejo de moda sofreu o impacto das redes de fast fashion e suas roupas com preços consideravelmente mais baixos, além das infames peças inspired nas principais criações das grandes e tradicionais marcas internacionais, que alimentam o consumismo sem freios das pessoas mais enlouquecidas (sorry, fashion victims!). A reação natural, como podemos observar através de coleções e campanhas, são peças mais sóbrias, inspiradas nos arquivos das maisons, que clamam ser atemporais (ou novos clássicos), transmitindo a idéia do “para sempre”, apesar de sabermos que, daqui a seis meses, teremos mais modelos, cores e formatos nos esperando nas prateleiras (devemos lembrar também que, se pensarmos nos ciclos da moda, agora é a vez de deixar os excessos dos ’80s de lado e abraçar o minimalismo dos ’90s).

A Speedy, da Louis Vuitton, foi lançada nos anos 30 e volta com força total, complementando os looks inspirados nos anos 50 da última coleção de inverno. Um clássico que, desta vez, encontra-se disponível em cores sóbrias, muitas vezes sem o famoso LV estampado.

Sabemos que a sensação aqui no Brasil é de que a crise não nos afetou e, possivelmente, ainda vem aí. Contudo, os noticiários apontam outra direção: são muitas as matérias nos telejornais sobre o crescimento da inadimplência, motivados pelas condições de parcelamento e pela indústria do cartão de crédito. Portanto, a cada dia, apesar do que vemos por aí, a idéia de consumo seletivo, de comprar menos e de um estilo de vida mais simples nos parece mais atrativo (ou, pelo menos, necessário). No mais, ainda que inconscientemente, percebemos que nosso modelo de desenvolvimento está falido, conforme advoga o economista e conselheiro da ONU, Jeffrey Sachs, que ainda nos bombardeia com a afirmação de que “a economia de livre mercado é insustentável do ponto de vista econômico, social e ambiental”.

O parcelamento das compras empolgou o consumidor e acarretou o aumento da inadimplência

Neste momento, após tantas informações, várias questões começam a surgir. E, com certeza, uma delas se refere aos pontos-de-venda. Tendo em vista o cenário descrito acima, qual seria a importância ou a necessidade de uma loja elaborada? Não bastaria  uma loja limpa, com vendedores eficientes e preço interessante para garantir um boom nas vendas? Foi então que descobrimos algo maravilhoso: texto no The Cool Hunter sobre power shops.

A idéia, basicamente, é que boa parte das lojas é construída sem levar em consideração o consumidor, através de uma releitura nada desafiadora de dogmas do varejo. O resultado é uma infinidade de espaços comerciais tediosos.

Power Shops são verdadeiras caixas mágicas que podem influenciar nossa forma de consumir

As marcas se esquecem de que os consumidores compram por dois motivos: ou por necessidade, ou por desejo. Nos conformamos com o fato de comprar o que precisamos (commodities, em geral) em lojas sem graça. Talvez esse descaso com os consumidores seja fruto da crença de que muitos de nós não iremos perceber a sujeira, desorganização e despreparo das equipes de venda, até porque poderíamos comprar alguns desses artigos online ou por telefone, se quiséssemos. De qualquer maneira, não temos certeza exatamente do que afeta nosso comportamento enquanto consumidores, mas podemos afirmar que somos influenciados, princpalmente, pelas emoções.

"I want, I want, I want" (eu quero, eu quero, eu quero), mas do que você realmente precisa?

Como vimos acima, o consumidor tende a comprar menos a cada dia e exigir mais de cada experiência, até porque seu nível informação cresceu absurdamente graças ao acesso à internet. A busca por valor, contudo, não pode ser entendida como a busca pelo que é mais barato, mas como aquilo que vale o tempo e a atenção, além do dinheiro do consumidor. Autenticidade, consistência e experiência são os vetores que as marcas devem seguir ao projetar suas lojas. Os espaços comerciais devem demonstrar maior envolvimento com as necessidades e gostos dos consumidores, sendo relevantes, engajados e inovadores, além de tentar cultivar um vínculo emocional, promovendo interação e excitação.

Isso tudo pode até parecer bobagem para quem pensa que apenas compramos baseados no preço, mas sabemos que não é bem assim e que certos detalhes fazem grande diferença, justamente pela grande oferta à nossa disposição. E sempre, sempre devemos ter em mente que o consumidor bem informado e com acesso às resenhas e lojas online pode detectar uma oferta vazia no horizonte e nunca mais voltar. E pior: pode divulgar uma experiência ruim através das redes sociais, que irá se espalhar rapidamente, transformando-a em manchete de destaque.

Portanto, em tempos de crise econômica e informação e oferta abundantes, um ponto-de-venda é um canal de grande importância, uma das maneiras de expressar a promessa que a marca faz aos consumidores. Não podemos ter certeza de como essa experiência vai afetar a vida do consumidor, mas definitivamente ela é parte de um combo (que envolve branding, marketing, design de interiores, os produtos em si, atendimento, vitrines, provadores, site, embalagens) que pode influenciar ou não nossa decisão de compra.

Fontes: ModalogiaThe Cool Hunter, Época Negócios, Signature 9, Cult of Less 

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