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Posts Tagged ‘reflexão do dia’

I’m blue“, dizem os povos que falam inglês. Mas você conhece o significado dessa expressão? Ela tem origem no sentimento dominante do blues, antigo ritmo criado pelos escravos negros dos Estados Unidos, e significa estar pra baixo, triste. Por outro lado, a cor azul também pode significar beleza, magnitude e está associado ao céu e ao mar.

O significado das cores e seu impacto é muito estudado e ainda existe muita polêmica, em parte porque ainda não se consegue investigar o impacto psicológico das cores de maneira científica. Além disso, embora exista consenso sobre a propriedade de certas cores, ele varia conforme a época, a cultura e a religião. Por exemplo, o verde é a cor do Islã; o branco representa luto para alguns povos orientais; o vermelho representa boa sorte para os chineses e, atualmente, é associado à luta de vários povos por justiça e igualdade. O roxo, no Brasil, era ligado à morte por causa da religião católica e da Quaresma.

Além disso, as cores podem ter sua percepção alterada se combinadas a outros estímulos, como a textura: uma cor fria, combinada à uma textura rústica, pode denotar a sensação de conforto e tornar ambientes mais aconchegantes (e quantas vezes não vimos isso nas vitrines e interiores de Anthropologie?). Segundo Lilian Ried Miller Barros, fundadora do Universo da Cor (SP), não se pode analisar apenas a influência isolada de cada cor. É importante estudar a composição do cenário como um todo num determinado ambiente, especialmente suas nuances e contrastes. “Ambientes com fortes contrastes entre as cores nos deixam mais despertos e alertas, enquanto contrastes suaves nos provocam a sensação de relaxamento”, afirma Lilian.

Em tempos de color block e rejeição dos consumidores de peças de roupa tingidas por pigmentos nocivos aos seres humanos e ao meio ambiente, é cada vez mais importante investir no estudo das cores para desenvolver uma identidade visual adequada, a fim de que todos possam decodificar a mensagem que marcas de produtos desejam transmitir.  Estudos de universidades norte-americanas apontam percepções dominantes associadas às principais cores, apesar das variações de acordo com cultura e religião. Reproduzimos, abaixo, os resultados da pesquisa e acrescentamos alguns informações sobre o uso das cores na moda e em vitrines. Vamos conferir?

1 – Verde

Sensação de frescor. Associado à relva, mata, ar puro. Representa paisagens naturais, palmeiras, liberdade, abertura, porém carrega consigo a impressão subjetiva de angústia e autocontrole. Na moda, aparece muito em coleções de inspiração tropical e militar. No Brasil, a marca Osklen usa a cor em sua sinalização de liquidação.

A combinação com outras cores, objetos e estímulos já altera o impacto da cor verde

2 – Branco

Sensação de luz-espaço. Associado à neve, clara de ovo, papel, arroz, vestido de noiva. Representa paz, harmonia, pureza, limpeza. Sua impressão subjetiva está relacionada à inibição dos impulsos, bloqueios e perturbação. Na moda, além de representar pureza e  noivas, está associado ao minimalismo, às festas de final de ano, à classica tshirt, além de lingerie e camisas masculinas. Nas vitrines, é a cor da virada de ano e também é muito usada, em várias nuances e combinada com texturas, para criar ambientes aconchegantes e com ar vintage.

Martin Margiela explora muito o branco em suas lojas. Seus funcionários usam jalecos brancos, como cientistas em laboratórios.

Gelo, neve, "White Christmas"

O branco também ajuda a criar contraste

3 – Vermelho

Sensação de euforia, exaltação, calor. Associado ao sangue, boca, maçã, morango, pimenta, Ferrari e Papai Noel. Representa perigo, desejo, força, paixão, fogo e sexo. A impressão subjetiva é de agitação, impulsividade e agressividade. Na moda, lembramos logo de Valentino e seus inesquecíveis vestidos vermelhos; das solas dos sapatos Louboutin; de peças sensuais de lingerie; de luxo e sofisticação. Nas vitrines, sem dúvida, é a cor do Dia dos Namorados, do Natal, do Dia das Mães e, principalmente, das liquidações.

Vitrine Louis Vuitton, com fundo vermelho em contraste com as gaiolas douradas

Vitrine de Dia dos Namorados

Vermelho é, sem dúvida, a cor mais comum na hora de anunciar liquidação

4 – Azul

Sensação de frio, imensidão. Associado ao céu, mar e firmamento. Representa magnitude, dignidade e beleza. Causa a impressão subjetiva de supercontrole e negativismo. É a cor do jeans (indigo blue), muitos presente também no estilo navy e, quando combinado com tons terrosos, vermelho e dourado, confere a sensação de sofisticação. Muito em voga nos últimos anos devido à inspiração nas obras do artista Yves Klein.

5 – Laranja

Sensação de vigor, vitalidade, fulgor, intensidade. Associado ao outono, laranja, girassol, cenoura, gema de ovo e Dia das Bruxas. Representa poder, exuberância, calor, ingenuidade. Impressão subjetiva de criatividade, entusiasmo e inquietude. Na moda, é muito utilizada em roupas infantis, street wear e nas vitrines de Halloween. É a cor das embalagens da marca Hermès.

6 – Amarelo

Sensação de vitalidade, brilho, luminosidade, está associada ao sol e ao ouro. Representa prazer, riqueza e nosso país. Impressão subjetiva de alegria, disposição, ambição e medo. Na moda, aparece associada ao sol, ao limão (principalmente quando na versão neon) e mostarda e é bastante usada como “pontos de luz” em looks (bolsas, cintos e bijuterias amarelas  e douradas sempre ficam lindas quando combinadas com outras cores).  Muito usada nas vitrines de verão e, recentemente, naquelas decoradas com post-it (dizem que a cor amarela aumenta a concentração).

7 – Roxo/Lilás/ Magenta

Sensação de suavidade, profundidade. Associado ao violeta e ametista. representa magia, luxo e esoterismo. Provoca impressão subejtiva de inquietação, intuição, profundidade, introversão e labilidade afetiva. Nos tempos antigos, roupas tingidas com este pigmento eram caríssimas e, portanto, apenas os muito ricos podiam usá-las. Hoje em dia é bastante usada em roupas de festa, em diversas nuances.

8 – Preto

Sensação de escuridão-espaço, está associado à noite, ébano, carvão. Representa a morte, noite, sombra, autoridade, vazio e sofisticação. A impressão subjetiva é de tristeza, melancolia e depressão. Na moda, certamente está associado ao minimalismo, à sofisticação e sensualidade, sendo muito usada em lingeries e vestidos de festa. É a cor do couro, do fetiche e das roupas mais tradicionais. Karl Lagerfeld se veste apenas usando as cores preto e branco (aliás, o duo preto-branco ou preto-creme nos remete à marca Chanel). Costuma aparecer muito nas coleções de inverno ao lado do cinza.

Preto e branco na vitrine de inspiração fetichista da Louis Vuitton

Vitrine de Natal toda preta!

Preto e branco: minimalismo e elegância

Fonte: Revista Planeta, novembro de 2011, edição 470

Fotos: Reprodução

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Somos fãs apaixonadas pelo programa da BBC, Secrets of the Superbrands, no qual o apresentador Alex Riley procura entender como determinadas marcas influenciam nossas escolhas e, em última instância, nossa vida. Quando falamos sobre Apple aqui, mencionamos o programa, dando destaque para o enfoque em neurociência (um grande fã da Apple, por exemplo, se submeteu a um exame de ressonância magnética que mostrou que as áreas do seu cérebro ativadas mediante a visão de produtos da gigante da tecnologia são as mesmas ativadas em pessoas religiosas quando diante de imagens sagradas).

A ótima notícia é que, finalmente, o programa ganhou um episódio totalmente dedicado ao universo das marcas de luxo, com depoimentos de grandes nomes da indústria da moda, marketing e áreas afins, como Dana Thomas (autora de Deluxe – Como o Luxo Perdeu o Brilho  – nós recomendamos!) e Ted Polhemus (grande antropólogo americano que mora e trabalha em Londres e autor de livros fundamentais sobre streetstyle, interferências corporais, etc), entre outros.

Gostamos tanto do programa que tínhamos que fazer um post sobre o assunto. Para não estragar a surpresa, não vamos revelar mais nada sobre os episódios abaixo, mas garantimos que além de informações incríveis sobre marketing, branding, psicologia, neurociência e negócios relacionados ao mundo da moda, também é uma ótima forma de nos fazer refletir e questionar certos comportamentos.

Have fun!

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Se você ainda não conhece Kidult, melhor começar a se informar. Enfant terrible do grafite, segundo ele mesmo, o artista começou a espalhar suas criações pelas ruas de Paris e NYC aos 12 anos de idade e, atualmente, sua indignação com o cunho comercial que deram ao movimento o levou a agir de uma maneira que muitos classificariam como vandalismo.

Kidult, artista de grafite

Recentemente o artista “assinou” as vitrines de marcas de luxo, como Kenzo, Colette, JC/DC, Agnes B., Louis Vuitton e até Hermès. Segundo Kidult, todas as marcas usaram a cultura do grafite com cunho comercial, iniciando uma tendência com o objetivo único de lucrar. “Se essas marcas realmente gostam de grafite, eu apenas dei a elas o que gostam, então não importa se é bonito ou feio. Precisamos fazer com que essas marcas parem de impor uma cultura que pertence a todos nós”, declarou o grafiteiro.

Assinatura do artista na porta da Goyard

Vandalismo ou arte, eis a questão. Por aqui, ficamos impressionadas com a ação do artista nas vitrines (afinal, vivemos falando sobre elas todos os dias). Entendemos a revolta, mas também sofremos ao ver nossas queridas vitrines se transformarem em alvos. Ironicamente, achamos que Kidult escolheu a forma certa de protestar, afinal as vitrines são as janelas das marcas para o mundo e, agora, elas servem de suporte também para a indignação do grafiteiro.

Na Hermès

Na Agnes B.

Na JC/DC

Para saber mais sobre o artista, conhecer suas idéias e vê-lo em ação, basta assistir aos vídeos abaixo.

http://vimeo.com/24246227

 

Fotos: SP DREAMERS, Oyster Mag, High Snobiety

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Produtos Ed Hardy: amados por muitos, internacionalmente consumidos e caríssimos. Para alguns, símbolo de rebeldia e status. Para outros, a melhor representação do mau gosto. Muitas pessoas sequer conseguem olhar para uma peça Ed Hardy sem torcer o nariz! Camisetas e bonés com silks inspirados no universo da tatuagem, combinados com aplicações de bordados, cristais e glitter simplesmente lotaram páginas e mais páginas de revistas, sempre usados por celebridades como Madonna, Britney Spears, Kim Kardashian, entre outras.

Famosas "trabalhadas" na marca Ed Hardy

Como todo produto, teve sua fase de introdução, de crescimento, atingiu sua maturidade no mercado e, finalmente, começa a entrar em declínio – pelo menos, achamos que a campanha promovida pela agência de publicidade Super Top Secret aponta para esse caminho.

Segundo o site da agência, a campanha Giving Back  visa “tornar o mundo melhor, uma camiseta ridícula por vez” (e até tem página no Facebook e seguidores no Twitter!). Funciona assim: os interessados doarão suas camisetas Ed Hardy para a Super Top Secret, que as repassará para moradores de rua. Além de ajudar os menos favorecidos, os doadores receberão em troca uma camiseta novinha em folha, produzida pela agência. Ainda segundo o site, trata-se de uma “win-win situation“: ao mesmo tempo que você ganha uma camiseta novinha em folha, ajuda uma pessoa necessitada e contribui para acabar com a tendência da camiseta masculina espalhafatosa, possibilitando que ela assuma novamente sua função como uma mera camiseta.

À esquerda, a campanha; à direita, Eli, morador de rua, usando uma camiseta Ed Hardy doada pelo sorridente rapaz à direita, de camisa xadrez

É claro que a campanha tem um toque de humor bastante ácido, mas vamos deixar de lado nossos posicionamentos politicamente corretos, nossos pudores e sejamos honestos: alguém acha que a Madonna gostaria de ver um morador de rua usando uma camiseta original Ed Hardy, assim como ela?  Você gostaria de ver vários moradores de rua usando camisetas iguais as suas, pelas quais você pagou R$ 280,00 (o preço é meramente ilustrativo)? Claro que não, não é?

E qual seria o impacto dessa campanha para as vendas e para a marca Ed Hardy? Com certeza, não seria nada positivo para ambos. Por outro lado, ficamos tristes, pois isso também não é nada bom para a imagem do tatuador Don Ed Hardy, americano da Califórnia, aprendiz do respeitado Sailor Jerry Collins, que teve seu nome e desenhos atrelados a produtos que são sinônimos de mau gosto.

No mais, não conseguimos levantar nenhuma informação sobre o posicionamento da marca em relação à ação, mas achamos que, neste caso, caberia inclusive recurso judicial para evitar que a agência continuasse a promover esse tipo de atividade, sendo fácil comprovar os potenciais danos à imagem da marca.

E se alguém já se perguntou se consumidores ou a sociedade podem destruir uma marca, literalmente, achamos que a campanha acima dá todas as informações necessárias para responder a questão.

Fonte: GOOD

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Falamos aqui várias vezes nos últimos meses, sobre vitrines que deram o que falar ao lidar com temas polêmicos, tabus e até mesmo eventos trágicos. Debatemos os limites éticos do visual merchandising e os reflexos da vitrine para a imagem da marca.

Contudo, até hoje, não tínhamos visto um caso de vitrine censurada no Brasil. Aparentemente, esse quadro está mudando. Soubemos que a vitrine de Dia dos Namorados da marca Imaginarium foi censurada em shoppings de três cidades brasileiras (São Paulo, Porto Alegre e Brasília). Os centros comerciais alegaram que a ação da marca, com o mote “Só quero com você”, contém sensualidade excessiva.

A vitrine censurada de Dia dos Namorados, da Imaginarium

Para atender à exigência dos centros comerciais, as partes censuradas levarão tarjas pretas.

Sinceramente não achamos que a vitrine em questão contenha conteúdo impróprio ou ofensivo, ainda mais se comparado ao conteúdo divulgado por filmes e programas de televisão (incluindo telejornais, novelas e séries destinadas ao público adolescente, classificadas como livres para todas as audiiencias). Também ficamos preocupados com esse tipo de posicionamento, principalmente quando lembramos de vitrines como a que vimos na Lanvin (abaixo) e a vitrine de Tom Ford na Selfridges (lembram?). No mais, a vitrine segue exatamente os valores da marca Imaginarium, que vende produtos divertidos, inspirados por trocadilhos engraçadinhos e provocativos.

Vitrine Lanvin, muito mais explícita, não foi censurada

Para pensar e refletir…

Fonte: Exame

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Falamos aqui recentemente sobre vitrines que foram inspiradas por acontecimentos que abalaram e “sacudiram” a sociedade. Primeiro, tivemos o exemplo da marca Hackett, que promoveu uma campanha para reverter parte do lucro obtido com a venda de produtos para ajudar as vítimas do tsunami que destruiu várias regiões no Japão. Em seguida, vimos a vitrine de Marc Jacobs, no West Village (NY), apoiando o casamento entre pessoas do mesmo sexo, numa verdadeira jornada em prol dos direitos humanos em NY.

Infelizmente, nem sempre os eventos impactantes e simbólicos em nossa sociedade dão boas vitrines (ou merecem tal destaque, até porque, sinceramente, não contribuem em nada para a imagem da marca). Por exemplo, o que podemos pensar a respeito da vitrine abaixo, da marca Party On, descrita pelo Yorkshire Post (do Reino Unido) como uma “loja chique”.

Em primeiro plano, vemos um boneco à esquerda, caracterizado como Osama bin Laden, segurando uma bandeira branca e “jorrando sangue”. De pé, à direita, uma manequim feminina, portanto uma arma de plástico e trajando roupas de inspiração militar. Como pano de fundo, a bandeira dos Estados Unidos.

Definitivamente, o assassinato de Osama bin Laden por militares norte-americanos foi um evento que chamou a atenção do mundo. Ficamos horrorizadas ao assistir, pela televisão, a comemoração do povo nas ruas ao redor dos EUA, afinal um criminoso de guerra deveria ser capturado e levado a julgamento, como mandam os preceitos da sociedade moderna e civilizada. Ações baseadas no famoso “olho por olho, dente por dente” nos fazem retroceder ao tempo das cavernas!

No mais, ficamos chocadas com a declaração de uma funcionária da loja Party On. Segundo ela, a marca gosta de produzir displays que chamem a atenção e que, enquanto ela estava trabalhando, apenas constatou que várias pessoas riam e tiravam fotos em frente a vitrine. Aparentemente nenhuma reclamação foi feita.

Vale tudo em nome de “chamar atenção”? Má publicidade é melhor do que nenhuma publicidade? Acho que devemos parar por alguns instantes e refletir sobre o assunto. Antes dessa foto, nunca tínhamos ouvido falar na Party On, o que faria muita gente dizer que, graças à polêmica vitrine, a loja ficou conhecida até mesmo no Brasil. Porém, para nós, a impressão em relação à Party On foi extremamente negativa. Se morássemos ou visitássemos a cidade onde fica a loja, jamais compraríamos lá. Resumindo, achamos a vitrine de um tremendo mau gosto, além de ser tremendamente grosseira! Portanto, derrubamos o argumento de que uma vitrine desse tipo seria capaz de gerar brand awareness, afinal quem se interessa se o consumidor conhece a marca, mas a associa a algo grotesco?

E o que uma vitrine desse tipo pode trazer de bom para a marca? Absolutamente nada! Que marca gostaria de ter sua imagem associada a algo grosseiro e até mesmo visto por muitos como preconceituoso? A vitrine de uma loja é o primeiro ponto de contato que a marca tem com o consumidor. Se você não conhece uma marca, mas passa por uma vitrine que lhe atrai, você se sente “puxado” para o interior da loja. Então para que jogar fora uma oportunidade de atrair clientes para o interior da sua loja e, ainda por cima, ter sua imagem associada a adjetivos nada favoráveis?

Enfim, esperamos que nenhuma outra marca, em nenhum outro lugar do mundo, resolva seguir o péssimo exemplo da Party On. Assim como o que aconteceu envolvendo a marca Kenneth Cole e a questão política no Egito (falamos sobre isso aqui), esses assuntos são delicados, envolvem questões mais profundas do que podemos imaginar e não devem ser tratados desrespeitosamente, ainda mais numa vitrine.

Fonte: Yorkshire Post

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Tipografia e branding sempre caminharam de mãos dadas e, nesse momento, essa relação está em destaque. Falamos aqui, várias vezes, sobre letras gigantes, com ou sem luzes, que apareciam em vitrines e interiores, garantindo um clima vintage ao ambiente. Também destacamos uma pop-up store na Dinamarca, associada a um escritório de design, cujo foco do merchandising visual era a tipografia. Muitas vezes, a idéia era mesmo reforçar o aspecto tradicional da marca/evento/serviço, mas em alguns casos, temos certeza que não passava da tendência faux heritage que domina o cenário fashion desde o ano passado. Qualquer que seja  caso, mesmo depois que essa tendência se for, a tipografia deve sempre vir associada ao espírito da marca, seus valores e demais ícones. Usar um tipo inadequado pode comprometer a transmissão da mensagem da marca!

Adesivos, avisos impressos que vão para vitrines e interiores, cartões de visita e outros itens de papelaria, além de qualquer outro meio de comunicação da marca ou ponto de contato que faça uso de mensagem escrita deve sempre levar em consideração a escolha cuidadosa da tipografia, de preferência sempre usando o mesmo tipo, para que seja fácil e rápido para o consumidor reconhecer a marca.

Vitrine de uma pop-up store

No caso acima, por exemplo, o adesivo aplicado na vitrine usa o estilo de verbete de dicionário, o que já o torna interessante. Contudo, temos certeza que essa escolha não foi feita aleatoriamente: como se trata de uma pop-up store, com “prazo de validade”, o formato do adesivo chama atenção e, ao mesmo tempo, esclarece dúvidas sobre a existência da loja, além de informar com destaque o período de funcionamento (o que, no caso de uma loja temporária, é muito importante).

Às vezes, no meio de tanta confusão e poluição visual por aí, em todos os lugares, é interessante ver algo tão simples, back to basics, sendo utilizado na comunicação de várias marcas. Assim, fica bem claro para o consumidor, que não tem tempo sobrando, a razão de ser da marca e o que ela oferece.

Tão simples e direto que dispensa explicações, não é?

Esperamos que as marcas, de moda ou não, escolham cuidadosamente sua tipografia!

Fotos: I Spy Style 

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O mercado de refrigerantes é bastante disputado e até poderíamos dizer que Coca-Cola e Pepsi travam uma batalha diária por market share. A luta por uma bela fatia do mercado e pela cabeça e coração dos consumidores se dá através de diversas estratégias de marketing.

A Pepsi optou por uma ação baseada em novas mídias, associada à um ícone moderno: a vending machine (aquelas máquinas que ficam em ruas, metrôs e até em escritórios e nas quais você pode comprar pequenos lanches e bebidas usando moedinhas). A ação pretende engajar os consumidores através das mídias que já fazem parte do nosso dia a dia, como SMS, Facebook e vídeo, entre outras, fornecendo acesso à informações sobre produtos e até mesmo permitindo que você presentei um amigo com uma garrafinha de refrigerante. Funciona assim: basta selecionar uma bebida e digitar o nome do destinatário, número de celular e a mensagem de texto com um código personalizado resgatável ​​em outras máquinas será enviado. Os consumidores podem customizar a mensagem com um curto vídeo gravado pela máquina.

Por outro lado, a rival Coca-Cola mergulhou de cabeça na estratégia do storytelling, ou seja, na construção de narrativas que estabeleçam conexões com histórias e comunidades pré-existentes. Assim, as pessoas se envolvem com a marca, pois se enxergam como personagens dessas histórias e compram os produtos necessários à satisfação de uma necessidade humana.

Cada vez mais a marca se empenha em estabelecer vínculos com comunidades de nicho e com outra estratégia importante, conhecida como consumer advocacy , os famosos “advogados da marca” que nada mais são do que pessoas que simplesmente amam determinada marca e podem dar seu testemunho valioso a respeito desse relacionamento (ajudando, assim, a convencer outros consumidores). Praticamente é a estratégia que resume o que estamos falando por aqui em vários posts: lovemarks, interação, deixar o consumidor ser o dono da sua marca – todas essa estratégias são cada vez mais fundamentais para alcançar o sucesso no mercado.

Campanha "Abra a Felicidade"

Em 2007 a Coca-Cola lançou uma série de comerciais da campanha “Abra a Felicidade“, cuja idéia central era a de que felicidade é aquilo que criamos diariamente em nossas vidas. O foco no produto ou na marca foram colocados em segundo plano, destacando o produto apenas como suporte aos experimentos individuais sobre o significado da felicidade. O resultado foi tão positivo que a empresa resolveu expandir os comerciais, usando narrativas envolvendo músicos e artistas. O processo culminou uma verdadeira “fábrica da felicidade“, gerando tanto interesse dos consumidores que outras mídias foram adotadas na divulgação da campanha (blogs, vídeo, games e aplicativos para celular). E a história não parou por aí: uma expedição de três embaixadores da alegria foi lançada em janeiro de 2010 com o objetivo de descobrir o que faz as pessoas felizes nos 206 países onde a Coca-Cola é comercializada e blogs como o Coca-Cola Conversations, com curiosidades sobre a marca, produtos relacionados e sua história.

Os resultados? Bem, em comparação com a Pepsi, a página do Facebook da Coca-Cola tem 21 milhões de fãs a mais que a concorrente; as vendas globais aumentaram consideravelmente desde o início da campanha “Abra a Felicidade”; a campanha tornou-se uma plataforma global para todo marketing integrado da marca; e, para culminar, a empresa ainda teve sua campanha reconhecida com o prêmio Best In Show de publicidade.

O que podemos concluir disso tudo? Que as marcas devem convidar seus consumidores ao diálogo, quer seja relacionado à marca, quer seja sobre suas próprias experiências ou alguma coisa que os inspire a participar e criar suas próprias formas de mídia. Boas narrativas são capazes de agregar, ao seu redor, nichos diversos da sociedade, geralmente extrapolando seus suportes iniciais, devido ao grande potencial de adoção e crescimento.

Para saber mais sobre uma outra ação bem legal, que envolveu os consumidores através da ativação de sua criatividade e uma marca de refrigerante, basta procurar informações sobre a parceria Sprite e Redley e a campanha Refresque suas Idéias. Acesse o site que explica o processo de criação das artes individuais e da coletiva e divirta-se!

Fontes: Mídias Sociais, SparkSheet

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Sexo e tatuagem ainda são tabus em nossa sociedade, por mais que exista todo um discurso politicamente correto de aceitação e liberalidade. O que dizer sobre as vitrines abaixo? Bem, esperamos que cada um de vocês tire suas próprias conclusões e lembramos que o mais importante é seguir a famosa Regra de Ouro: DO UNTO OTHERS AS YOU  WOULD HAVE THEM DO UNTO YOU .

Primeiro, na Bergdorf Goodman, um manequim pintado a mão com tatuagens no estilo old school (feitas por D.B. Decorative Arts) usando um corset Jean-Paul Gaultier (marca que sempre teve uma conexão com símbolos fetichistas).

Vitrine da Bergdorf Goodman

Detalhe do manequim

E que tal as provocantes vitrines da Lanvin? Simulação de sexo e um personagem metade homem, metade mulher (achamos isso tão “Victor ou Victoria?”).

Manequim Lanvin: metade homem, metade mulher

Temos certeza que, em muitos países, essa vitrine seria o ponto de partida para muita polêmica

Fotos: Reprodução, I Love Shoplifting

 

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O caso Galliano ainda está causando muita polêmica por aí, mas por aqui o que nos interessa é entender como as marcas se posicionaram em momentos de crise, muitas vezes desencadeadas por seus representantes, colaboradores e embaixadores. Uma verdadeira lição de gerência de marca e relações públicas em tempos de crise e de como em alguns casos foi possível dar a volta por cima, com ainda mais sucesso!

:: Crise #1: Chanel e o Nazismo

” Durante a II Guerra, Chanel foi acusada de colaborar com o nazismo. Segundo sua biógrafa, Edmonde Charles-Roux, Coco tinha inclinações políticas extremamente reacionárias e conservadoras. De acordo com alguns autores, Chanel circulava em altos círculos militares alemães. Ela teria sido chamada para a Operação Modelhut (Modelhut, em alemão, significa “chapéu da moda”), em que tentava aproximar o primeiro-ministro britânico Winston Churchill do comando alemão. Chanel tinha tido um caso com um inglês chamado Hugh Richard Arthur Grosvenor, o duque de Westminster, próximo de Churchill. Por desempenhar serviços como esse, Chanel prosperou durante a guerra. Há quem diga que o logo “CC” seja uma referência ao logo “SS”, gravado nos uniformes da polícia de Hitler.

Por causa disso, fechou a maison e foi morar na Suiça. Quase faliu. Voltou a Paris em 1954, mas o mercado francês não a recebeu tão bem como antes. A grife foi salva pelo mercado americano que, na década de 50, inventou o prêt-à-porter, em que a cópia de uma roupa podia ser reproduzida em escala industrial.” (Revista Época)

Dizem que Coco Chanel andou flertando com o nazismo e até mesmo se envolveu com um oficial alemão

 

Hoje em dia, quem não ama a marca Chanel? Enlouquecemos com as inovações de Karl Lagerfeld e muitos sequer sabem desse “passado sombrio” de Coco.

:: Crise #2: Kate Moss

Quem não se lembra da foto abaixo? Depois dela, a internacionalmente famosa Kate Moss, modelo que durante a década de 90 já havia encarado outras polêmicas (foi acusada de ser a porta-voz do estilo heroin chic e de ser anoréxica, servindo de péssimo exemplo para toda uma geração de meninas ao redor do mundo) sem maiores problemas, caiu em desgraça, ainda que temporariamente. Foi abertamente criticada, perdeu contratos, mas graças ao apoio de diversos membros fashion world, Kate recuperou sua imagem e está mais rica do que nunca, depois de fechar vários contratos milionários.

 

A foto publicada pelo tablóide inglês colocou Kate Moss no topo das paradas, de uma maneira bem negativa

O falecido McQueen foi um dos muitos que apoiaram Kate

:: Crise #3: Nike e Ronaldo Fenômeno

O ex-jogador Ronaldo “Fenômeno” foi acusado de envolvimento com travestis. Imediatamente surgiram boatos de que a Nike romperia seu contrato com o atleta, mas apesar dos rumores, isso não ocorreu e a empresa até prestou homenagem em seu site após o anúncio de sua aposentadoria.

No site da Nike, homenagem ao ex-jogador

A imagem de Ronaldo, por outro lado, nunca mais foi a mesma. Aparentemente o jogador perdeu todo o crédito que tinha junto ao público, que só conseguia falar sobre seu excesso de peso, escândalos da vida pessoal do jogador, etc. Nem mesmo o empenho positivo da mídia quando sua aposentadoria foi anunciada conseguiu reverter tal problema.

:: Crise #4: Dior e Galliano

A polêmica envolvendo Galliano começou com a divulgação do vídeo abaixo, no qual o estilista, supostamente sob o efeito de álcool, fez comentários antissemitas na sexta-feira passada, num bar em Paris.

Após queixas registradas na polícia, a maison Dior declarou publicamente que Galliano, designer-chefe desde 1996 da maison francesa, estava afastado do cargo. Na terça-feira, dia 01/03/2011, a Dior anunciou sua demissão. Segundo o executivo-chefe da Dior, Sidney Toledano, a atitude do estilista é veementemente condenável e contradiz todos os valores que sempre foram defendidos pela Christian Dior.

Para piorar da situação, a atriz Natalie Portman, garota-propaganda do perfume Miss Dior Chérie, vendedora do Oscar de melhor atriz e foco de todas as atenções da mídia nos últimos meses, declarou estar profundamente chocada e enojadacom as declarações de Galliano em vídeo e promete não se associar ao designer de qualquer forma.

Com todos holofotes voltados para ela, a atriz Natalie Portman sentiu a necessidade de se manifestar sobre a polêmica envolvendo o diretor criativo da Dior

Concordamos que a maison francesa agiu corretamente ao afastar o designer do seu cargo e ainda não sabemos como tal decisão afetará a marca, inclusive financeiramente (o mesmo podemos dizer sobre os rumos da carreira de John Galliano ). O que nos chamou muita atenção foi a declaração de Natalie Portman, afinal sua associação contratual é com a empresa francesa Christian Dior, não com Galliano ou com a marca que leva seu nome.

A Dior manteve a data do seu desfile e o nome de John Galliano não foi mencionado. O designer está em reabilitação, cancelou o desfile da marca que leva seu nome e pode ser levado a julgamento em breve, na França. Corre por aí o boato de que várias atrizes resolveram não usar vestidos Dior na noite do Oscar por conta da polêmica.

:: Crise #5: Devassa e Sandy

Não se fala em outra coisa: Sandy foi escolhida para ser a garota propaganda da marca de cerveja Devassa. O trabalho de ativação da marca teve início com a escolha de Paris Hilton para uma série de ações, que também geraram polêmica. Contudo, é bem provável que a maioria das pessoas até concorde que a escandalosa Hilton combina com ações sexies e polêmicas, mas pelo que estamos percebendo, ninguém consegue “engolir” essa história de que “todo mundo tem um lado devassa”.

E aí, você acha mesmo que Sandy tem um lado devassa?

Para piorar a situação, começou a ser divulgado na rede um trecho de uma entrevista na qual a cantora, que até mudou a cor de seus cabelos para o lançamento da campanha, declara não gostar do gosto de cerveja, mesmo sem álcool, e que prefere bebidas “mais docinhas”.

A entrevista aconteceu meses antes da contratação da cantora pela cervejaria, mas a “aparição” do vídeo na rede e sua intensa divulgação parece indicar a rejeição do público em relação a escolha da Devassa.

A cervejaria não voltou atrás e divulgou números que comprovam seu crescimento nos mercados do Rio de Janeiro e de São Paulo, além de prometer mais polêmicas para os próximos meses.

Marcas diferentes, problemas diferentes. Superações e dúvidas sobre o futuro. Várias opções de como gerenciar marcas que enfrentam problemas. Agora só nos resta aguardar e analisar.

Fonte: Folha Ilustrada, Mundo do Marketing

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