Feeds:
Posts
Comentários

Posts Tagged ‘victor churcill’

Se você sonhar com algo, pode fazê-lo“, disse Walt Disney. A cada dia sonhamos mais e mais com espaços comerciais diferenciados, inovadores, que nos surpreendam. Sonhamos, desejamos, esperamos… E não estamos, neste momento, pensando apenas em lojas voltadas para o varejo de moda. Gostaríamos de ver farmácias, salões de beleza, padarias e outros pontos de venda dos quais entramos e saímos todos os dias segundo um novo ponto de vista, totalmente renovados.

Sabemos que alguns desses estabelecimentos não vendem nada além de commodities, mas em certos casos tal pensamento deveria ser revisto. Se farmácias se posicionam através de uma guerra de preços, outros tipos de varejo deveriam entender que lidam com um tipo de serviço/produto que, quanto mais diferenciado, mais atrairia consumidores. E nada melhor do que um ponto de venda que esteja de acordo com tal diferenciação, para envolver ainda mais o consumidor num clima que combine mistério, sensualidade e intimidade (critérios que identificam uma lovemark, conceito elaborado por Kevin Roberts, CEO da Saatchi & Saatchi, na busca por marcas que promovam, em seus consumidores, fidelidade além da razão, trabalhando esses três fatores).

Já citamos aqui alguns exemplos de estabelecimentos comerciais que se diferenciaram ao criar pontos de venda que possibilitam aos consumidores novas formas de experimentação dos produtos/serviços e até mesmo da marca. Empresas como Snog (frozen iogurte), Victor Churchill (açougue de luxo) e Patisserie des Rêves (doces e afins) deixaram de ser mais um negociante de commodities para virar marcas reconhecidas internacionalmente.

Deixando de lado os exemplos gastronômicos, sempre nos perguntamos como poderia ser uma ótica dentro desses conceitos que abordamos acima. Se pararmos para pensar em todas as óticas pelas quais passamos nas ruas e dentro de shoppings, percebemos que elas seguem, normalmente, um mesmo padrão: vitrines amontoadas de displays das principais marcas de moda internacionais que trabalham óculos de sol e de grau como acessórios, atrás de um vidro com adesivos que destacam formas de pagamento. Lá dentro, vendedores que não entendem absolutamente nada sobre visagismo (portanto, muitas vezes, não podem ajudar o consumidor a achar o melhor modelo de óculos para o seu formato de rosto), balcões brancos ou de madeira, cadeiras que normalmente não combinam com o ambiente.

Chega a ser engraçado ver tamanha contradição: de um lado, os displays das marcas internacionais com fotos que tentam nos vender um estilo de vida através de seus produtos e, de outro, os produtos em si, expostos em ambientes descuidados que praticamente os transformam em commodities, fazendo com que o consumidor não se importe com o local onde compra, mas sim com o menor preço que o produto pode alcançar dentre as diversas opções no mercado.

Felizmente nem sempre isso acontece! Stefan Flatscher e Uwe Pinhammer, donos da Freudenhaus, resolveram inovar, repensando toda a estrutura de uma ótica através de um olhar diferenciado do produto: óculos não são apenas instrumentos técnicos, mas devem, também, expressar a personalidade de quem os usa. São verdadeiros acessórios de moda, devem ser divertidos e deixar os consumidores felizes.

Interior ds FreudenHaus, predominantemente branco, o que confere um aspecto clean, claro e amplo

Para acompanhar tal pensamento, os sócios resolveram apostar numa linha própria de produtos e, além disso, num ponto de venda totalmente diferenciado e inovador. O projeto é do escritório de arquitetura alemão Aigner Architecture e o briefing era criar um interior com materiais de altíssima qualidade e apelo ao público jovem. A predominância da cor branca cria, além de um ambiente claro e clean, uma certa surpresa aos consumidores, pois foge completamente dos padrões de uma ótica comum. Os displays parecem gavetas em forma de tubos presos nas paredes, o que também confere ao ambiente um certo ar futurista.

Displays em forma de tubos, que ficam presos às paredes e também pendem do teto

Read Full Post »

Não sabemos se os pontos comerciais abaixo vendem só comida ou foram projetados para que também pudéssemos comê-los com os olhos. Se fosse possível traduzir em imagens a expressão eye candy (alguém ou algo que é visualmente atraente ou agradável de se olhar), as marcas abaixo com certeza ganhariam prêmios pelo seu sucesso nessa tarefa!

O fato é que tais marcas criaram ambientes que oferecem aos consumidores uma nova forma de experimentá-las, onde o elemento da surpresa modifica totalmente sua percepção, o que torna a experiência memorável. Isso faz com que todos queiram compartilhar a novidade, inclusive através das redes sociais, o que, em útima análise, se traduz em publicidade gratuita para a marca,  brand awareness e, possivelmente, em vendas.  

A Snog é mundialmente famosa por suas lojas super modernas e coloridas. A marca nasceu do desejo de seus sócios de vender no Reino Unido o melhor e mais saudável iogurte frozen que, segundo eles, é a melhor “iguaria” que já provaram mesmo depois de rodar o mundo experimentando diversos alimentos com texturas e sabores únicos. A marca também promove novos artistas, usando seus trabalhos em campanhas e interiores. O projeto é de autoria do escritório Icon Design, que desenvolveu os espaços visando transmitir a idéia de uma marca pontuada pela longevidade e vigor necessários à expansão. O foco também foi manter a identidade da marca e criar um clima de intimidade e frescor, que atraisse um público jovem e urbano.

Detalhes do interior de algumas lojas da Snog. As mesas e bancos em formas orgânicas nos lembram cogumelos e o chão forrado de verde até parece um gramado. As cores são sempre em tons cítricos, vibrantes e fluo. Elementos de arte contemporânea, como toy art e adesivos elaborados por novos artistas são marcas registradas.

Outro ambiente maravilhoso é o da Patisserie des Rêves, em Paris, que vende todo tipo de delícias tadicionais e açucaradas da culinária francesa. O diferecial está no ambiente clean-cool, onde doces são tratados como jóias exclusivas e ficam em display dentro de redomas de vidro. Basta chegar na loja, fazer sua escolha com o auxílio de algum atendente e seu pedido será enviado para o subsolo, onde será preparado e enviado para o piso superior da loja, já embalado e pronto para ser levado.

Na Patisserie des Rêves, os doces são expostos em redomas de vidro, como jóias. A vitrine é minimalista e as estantes têm nichos coloridos.

Aproveitando o mood açucarado, a confeitaria alemã Das Neue Kubitscheck, propriedade de um punk  e ativista do Greenpeace (sim, podem acreditar!), tinha como foco repaginar a empoeirada tradição de preparar, apresentar e vender os bolos e tortas através do slogan  “Fuck the Backmischung!” (Dane-se a mistura de bolo!), que também indica o compromisso da marca com a qualidade da matéria-prima utilizada. O projeto da loja e o branding são do escritório alemão Designliga e deram um espírito totalmente moderno à confeitaria, cuja loja data dos anos 50 (contudo, alguns aspectos dignos de respeito da tradição alemã de preparar doces foram preservados). A marca faz exposições em locações inusitadas em parceria com artistas, mentes criativas e pensadores de vanguarda.

Definitivamente a marca Das Neue Kubitschechk sacudiu a poeira da confeitaria dos anos 50, mantendo apenas a tradicional qualidade e técnica alemã de preparar doces

E para os carnívoros de plantão, que tal o açougue nada convencional na Austrália, chamado Victor Churchill? A empresa nasceu em 1876 e hoje é um dos principais fornecedores dos melhores restaurantes da Austrália, China e Singapura. O escritório responsável pelo interior da loja é o australiano Dreamtime Australia Design, famoso por projetos de bares e restaurantes que combinam elementos tradicionais e modernos. O briefing era criar um espaço exclusivo, misturando o estilo dos tradicionais açougues europeus com elementos de design de ponta, visando redefinir a categoria, não apenas no país de origem, mas mundialmente. 

O açougue Victor Churchill visa redefinir a categoria através de uma loja que mistura tradição e elementos de design de ponta

Detalhe imperdível da vitrine do açougue: cortes especiais em caixas de cobre e vidro, além de um par de botas em exposição

Para fechar com chave de ouro, mais um interior incrível que pode nos fazer esquecer completamente da comida: o restaurante Germain, em Paris. O local foi totalmente revitalizado pela arquiteta India Mahdavi e a principal atração é a escultura amarela de uma mulher usando um sobretudo, cuja primeira metade fica no primeiro piso da loja (onde funciona um café), enquanto o seu tronco fica no segundo andar, que abriga a área VIP. Comer pra que, não?

A escultura que fica entre os dois andares do café-lounge é uma escultura chamada Sophie, do artista Xavier Veilhan

Fontes: The Cool Hunter, Dezeen

Read Full Post »